Mostrando postagens com marcador Samuel Beckett. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Samuel Beckett. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de julho de 2011

the mess in our heads

"Este é o efeito do silêncio, o calor, a penumbra e os odores de minha cama as vezes têm sobre mim. Levanto-me, saio, e esta tudo mudado. Minha cabeça se esvazia de sangue, por todos os lados me assaltam ruídos de coisas se evitando, se juntando, voando em estilhaços, meus olhos procuram em vão semelhanças, cada ponto da minha pele grita uma mensagem diferente, soçobro nos borrifos dos fenômenos. E às voltas com essas sensações, que felizmente sei seriam ilusórias, que tenho de viver e trabalhar. É graças a elas que encontro um sentido pra mim."

MOLLOY - Samuel Beckett

considere este um post triplo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Faux Départs

Imagination dead imagine.
Imagine a place, that again.
Never ask another question.
Imagine a place, then someone in it, that again.
Crawl out of the frowsy deathbed and drag it to a place to die in.
Out of the door and down the road in the old hat and coat like after the war, no, not that again.
A closed space five foot square by six high, try for him there.
Couldn't have got in, can't get out, did get in, will get out, all right.
Stool, bare walls when the light comes on, women's faces on the walls when the light comes on.
In a corner when the light comes on tattered Syntaxes of Jolly and Draeger Praeger Draeger, all right.
Light off and let him be, sitting on the stool and talking to himself the last person.
Saying, Now here is he, no, Now he is here.
Try as well as sitting standing, walking, kneeling, crawling, lying, creeping, in the dark and the light.
Imagine light.
Imagine light.
No visible source, strong at full, spread all over, no shadow, all six planes shining the same, slow on, ten seconds to full, same off, try that.
Still his crown touches the ceiling, moving not.
Say a lifetime of walking crouched and drawing himself up when brought to a stand.
When it goes out no matter, start again, another place, someone in it, glaring, never see, never find, no end, no matter.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Feliz Aniversário

Uma das principais colaboradoras [mesmo que indiretamente algumas vezes] desse Coletivo é a Marilia, do blog http://www.lambidasnautopia.co.nr/ e hoje é seu aniversário!
Então como presente, e parte do meu trabalho desse ano, estou aqui para postar um trecho de um dos Texts For Nothing de Samuel Beckett que eu estou traduzindo!

"Apenas as palavras quebram o silencio, todos os outros sons já cessaram. Se eu fosse silencio, eu ouviria nada. Mas se eu fosse silencio os outros sons poderiam começar de novo, aqueles que as palavras me fizeram surdo, ou aqueles que realmente cessaram. Mas eu sou silencio, e as vezes acontece, não, nunca, nem um segundo. Eu choro muito sem interrupções. É um fluxo inquebrável de palavras e lágrimas. Sem pausas para reflexão. Mas eu falo suavemente, cada ano mais suave. Talvez. Mais devagar também, cada ano um pouco mais devagar. Talvez. É difícil pra mim julgar. Então a pausa poderia ser longa, entre as palavras, as sentenças, as silabas, as lagrimas, eu as confundo, palavras e lágrimas, meu mundo são minhas lágrimas, meus olhos, minha boca. E eu deveria ouvir, a cada pequena pausa, se é o silencio eu digo, quando eu digo que apenas as palavras o quebram."



domingo, 28 de novembro de 2010

Paralelamente...

2 carrinhos estão em processo com o espetáculo PARA SEXTA-FEIRA que estréia agora na terça, 30 de novembro no Teatro Barracão da Faculdade de Artes do Paraná.

Durante as pesquisas me deparei com algumas palavras do encenador Gerald Thomas sobre Samuel Beckett, palavras que cabem perfeitamente no processo de PARA SEXTA-FEIRA:

"Não existe (nem em Happy Days ou em Fim de Jogo) uma intenção de jogar a criatura humana dentro do seu erro mais brutal: o de questionar suas existências. Ao contrário, as criaturas estão todas lá. O que falta é sempre algo que viria de fora, um Godot que não aparece nunca, um vento que promete, mas nem brisa vem, um cão amigo que nunca chega para guiar seu dono cego.
Os personagens são vítimas, assim como nós, na plateia, somos vítimas do destino ou de “algo maior” que nos rege. Samuel Beckett é um autor mágico que usou 80 mil referências e, no entanto, aboliu, deletou, apagou as preposições que as uniriam. Então somos vítimas de referências que precisam de referências, e isso torna tudo um enorme exercício de metalinguagem.
Por que montar Beckett então?

Porque ele reflete nossa lúcida instabilidade e vulnerabilidade como nenhum outro autor.

A obra de Beckett é, antes de mais nada, lúcida, superlúcida e nem um pouco absurda.

Ela nos revela nossas eternas repetições e rodas e redemoinhos do pensamento que vêm a ser nossas vidas. Beckett expõe, como se fossem feridas abertas, o quão ridículo, estranho e engraçadíssimo todo esse tormento pode ser.
Mas o fato é que, se perguntarmos “por que montar suas peças”, a resposta é mais que evidente: ele é a própria representação do nosso espelho quebrado, despedaçado num canto escuro qualquer dessa nossa vida estranha com seus murmúrios e grunhidos, do berço até o túmulo."

Gerald Thomas

Nova York, 10 de setembro 2010


"Desta vez, depois uma, eu penso, depois estará terminado penso, com aquele mundo também. É o sentido do penúltimo. Tudo se esfuma. Mais um pouco e você fica cego. Está na cabeça. Ela não funciona mais, ela diz EU NÃO FUNCIONO MAIS. Você fica mudo também e os ruídos enfraquecem. Mal se atravessa o limiar é assim. É a cabeça que deve estar cheia."
[fragmento da peça Aporias - baseada em obras de Samuel Beckett]