Falar desse projeto é falar da minha infância.
É falar sobre ossos quebrados, Dr. Michel, amigdalite, bronquite, bombinha de respiração, rinite, sinusite, inalação.
Pronto socorro, pronto atendimento,hospitais, enfermarias, joelhos ralados, curativos, hematomas, homeopatia, mais inalação.
É falar de uma infância muito bem aproveitada. Ao extremo. Com todos os tombos, os "roxos", as lágrimas e os ossos quebrados (mais uma vez).
Uma infância com mercúrio escorrendo pelos joelhos e cotovelos e de bandaids coloridos espalhados pelo corpo. É falar de luxação, pontos e várias cicatrizes.
É falar de amor. De ser cuidada.
Falar desse projeto é falar de minha adolescência.
Falar sobre hematomas de uma garota desastrada, rinusinusite crônica, torsões e lesões. É falar de um tumor no femur e três cirurgias nos joelhos. Oncologistas, fisioterapia, hospital, enxaqueca, desvio de atm, soro, princípio de pneumonia, desvio de septo. Traumas. Cirurgias. Mais cicatrizes (nem sempre visíveis).
É falar sobre um corpo que não é perfeito. É falar de dietas malucas e da busca (frustrada) por um corpo seguindo o padrão. É falar de aceitação pessoal. Estrias, celulite, cabelo colorido, piercing, tatuagens, cicatrizes e entender a importância de tudo isso pra me construir como pessoa.
É falar de ressonâncias magnéticas, injeções de contraste, pós operatório e mudanças bruscas. De amores, de lugares, de humor, de pensamentos.
É expor todos esses "defeitos" e transforma-los em arte.
É expor meus traumas e minha insegurança. É me expor pra falar de fragilidades que não são só minhas.
É tentar criar poesia da dor, sem a presença da dor.
É falar de escolhas, de libertação.
É nostalgia. E tem sabor de inalação.
E eu ainda gosto disso.
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quarta-feira, 20 de março de 2013
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Bernie Dechant
O oitavo dos nove Dechant nasceu em Racine, Wisconsin, EUA.
Estudou Arte e Design na faculdade e trabalhou numa empresa de artes gráficas onde ele ganhou premios pelos site Adobe.com e Apple Store. No meio disso veio a paixão por viagens e a fotografia. Bernie não tem técnicas fotográficas, seu treinamento surgiu graças ao seu trabalho em design.
O artista atualmente vive NY.
"Exatamente a temática que inspira e serve como um dos focos da obra do fotógrafo: as cidades do mundo, suas formas, cores, ritmos e, especialmente, a geometria flagrada em recortes urbanos. Não importa em que país estejam, Bernie encontra, nas cidades do mundo, similaridades e complementos. Em suas cenas reúne a arte, a arquitetura e o design. Entre as imagens incluídas na mostra está, por exemplo, a promessa futurista de Brasília em contraste com a Tóquio colorida, moderna, universal e cosmopolita; a China milenar e o exótico Marrocos; e a Lisboa de prédios altos. Como em um “raio x” dos lugares por onde passa, em suas viagens pelo mundo, o olhar de fotógrafo estrangeiro registra o ambiente, os costumes e a rotina das cidades. " [texto da curadoria do Museu Oscar Niemeyer - Curitiba]
E aqui entram os carrinhos.
Apaixonados pelas formas, cores, ritmos das cidades. Curiosos, apaixonados e buscando algo que torne as formas mais interessantes, as cores mais intensas e os ritmos mais afinados.
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